Quase nos vinte e cinco.

Daqui a precisamente quatro dias entro nos vinte e cinco.
Com os meus 8/9 anos imaginava que quando chegasse a esta idade já seria mãe, teria um emprego xpto, uma casa, andaria sempre de vestido e salto alto, uma autêntica lady. Mas, adivinhem só, nada disso aconteceu.

O ciclo dos vinte para mim têm sido bem doidos. É uma fase em que ninguém me considera uma adulta mas também já não sou adolescente.
E parece que a cada ano que passa, a tendência é os anos se superarem uns aos outros, cada vez mais. Por isso acaba por ser um pouco monótono dizer “este ano foi particularmente difícil, muita coisa aconteceu, muita coisa mudou”, blá blá blá, pensam vocês. Mas a verdade, é que efetivamente é assim mesmo. Não sei se é apenas comigo, mas todos os anos, meses, semanas, dias consigo surpreender-me a mim mesma.

Há precisamente um ano atrás muita coisa estava a mudar na minha vida. E acreditem ou não, 2019 foi o ano mais montanha russa que já tive, e por isso, até agora, os 24 foram aqueles em que mais mudei.
Fiz as minhas tatuagens, fui pela primeira vez a uma discoteca (sim, primeira vez!), despedi-me do trabalho que tinha para investir em mim mesma, consegui dedicar mais tempo aos meus amigos, à minha família.

Basicamente foi aquele ano em que muita gente me chamou de louca, que duvidaram da minha sanidade mental. E sabem que mais? Essas foram as melhores decisões da minha vida!

Deixei para trás todas as pessoas tóxicas que existiam ao meu redor e me adoeciam sem eu perceber, valorizei-me, fui à luta, sem ouvir as críticas daqueles que na verdade não me desejam nada de bom, pelo contrário.
Defendi incansavelmente causas em que acredito, e independentemente daquilo que me chamem por isso, continuarei a fazê-lo, cada vez mais.

Tenho 100% certeza de que daqui para a frente muito me espera, e estou de bem com isso. Na verdade, estou super preparada para tudo o que possa vir, seja de bom ou de menos bom. Porque no final, tudo serve para fortalecer, para fazer crescer. E hoje eu sei que, aqueles que valem o nosso esforço e dedicação, estão sempre do nosso lado. Que é preciso dias de chuva para que se veja o nascer do arco-íris.

Não tenho uma lista de objetivos a realizar este ano. Tenho sonhos e objetivos, que serão cumpridos na sua hora, no seu momento, ao seu ritmo.
Parei de colocar pressão em mim mesma, ou nos anos, porque se há coisa que aprendi é que a vida sempre nos surpreende. Leva consigo o que tanto queríamos para nos oferecer o que merecemos. E isso não é certo nem errado, é o que tem de ser, acho eu.

Como me disseram à algum tempo, “quando as coisas não acontecerem da maneira que imaginavas, aproveita aquilo que surge em sua vez”.
Acho que a vida é mesmo isso, se não pudermos seguir pelo caminho principal, apanhamos um atalho. No tempo certo, encontraremos de novo o caminho do qual nos desviamos, ou então não, talvez o atalho fosse na verdade o caminho principal, e quando menos percebermos, estamos onde sempre tivemos de estar. Ainda que isso não seja o que imaginávamos.

Resumindo, não sei se é suposto haver uma idade “certa” para as pessoas mudarem porque eu mudo todos os anos, todos os dias – felizmente.
E com isso agradeço imenso aos meus 24 anos marcados pelas escolhas mais acertadas e também as mais incorretas, pela chegada e partida de pessoas que nunca imaginei, por me ter levado ao meu limite e ainda assim continuar aqui.

Não sei o que os 25 me reservam, mas tenho esperança que sejam o melhoramento daquilo em que me tenho tornado porque, acreditem ou não, tem sido a minha melhor versão!

Um bem haja aos vintes, os loucos vintes!

Ama, respeita, e não aceites menos que isso em troca.

Quanto mais o tempo passa, quanto mais experiências a vida nos proporciona, mais percebemos que temos apenas a nós mesmos, que não importa quanto digam que te amam, ou estão do teu lado, no final, existes apenas tu.

Numa tentativa desesperada de manter as pessoas que amamos por perto, submetemos-nos, muitas vezes, a situações de extremo desrespeito e desamor. E está tudo bem, porque não conseguimos ver aquilo que está a acontecer à nossa volta. Está tudo bem, porque sempre que demonstramos que algo nos incomoda, a outra parte consegue manipular-nos ao ponto de sentirmos que o problema é realmente nosso.

Vivemos relações tóxicas, em que ninguém se preocupa realmente com o outro, em que passam mais tempo no ginásio a alimentar o seu enorme ego em vez de sentarem cinco minutos do nosso lado e tentar entender o que tornou o nosso dia mau – porque para isso não existe tempo.

São relações de desapego, em que cada um vive por e para si.
Ninguém se incomoda em conhecer os gostos do outro, em saber qual é a sua cor preferida, a música que gosta mais ou a comida a que é intolerante.
Não há passeios românticos porque é parolo, não há jantares com os amigos ou a família para evitar dramas quando se separarem – sim, porque a maioria inicia uma relação a pensar no fim. Estão juntos quando dá tempo e ambos estão dispostos a estar no seu melhor, onde se sentam em lados opostos da mesa, sem dizerem uma única palavra, apenas actualizando as redes sociais com uma foto de ambos como se vivessem o melhor momento do mundo. E quando chegam a casa, depois de se terem tratado que nem dois estranhos durante horas, dizem que sentem saudades um do outro.

A maioria dos amigos apenas existe nas redes sociais: enviam mensagens nos aniversários ou datas festivas, colocam um like de vez em quando nas fotografias, marcam jantares para tirarem fotos sem perguntarem, em momento algum, como estás, o que tens feito, como te sentes.

Esta é a realidade em que nos encontramos: namoros que não são namoros, amigos que desaparecem de um dia para o outro, colegas de trabalho que torcem para o nosso insucesso.

Não, não está tudo bem viver pela metade, ser amado pela metade, ser valorizado pela metade. Porque nós não somos metades.

Então sim, está tudo bem não estar tudo bem.
Não tenhas medo de dizer o que sentes por medo de magoar o outro. Diz o que sentes, o que te incomoda, ou vai embora, em silêncio. Não procures quem te abandonou, não te culpes por quem escolheu não ficar. Deste o teu melhor, e se ainda assim não foi suficiente, não foste tu quem errou.

Faz os teus próprios planos, guarda-os apenas para ti, e não tenhas medo que te critiquem, que te julguem. A opinião dos outros será sempre isso, a opinião dos outros. Mas a forma com que te tratam, se a aceitares, aí sim, isso é um erro teu.

Valoriza-te, e faz com que te valorizem. Corta relações com o passado, não respondas a mensagens ofensivas, bloqueia quem te quer mal, não percas tempo com quem desaparece mais rápido do que aparece. Rodeia-te de pessoas positivas, que te apoiem, incentivem, respeitem, e retribuam toda a atenção e amor que lhes dás.

Permite que fique na tua vida apenas quem te acrescenta, quem te transborda, e não tenhas medo de ficar só, porque todos aqueles que forem embora, não são dignos de ti, do teu tempo, da tua dedicação.

Confesso que admiro mais as pessoas que simplesmente desaparecem do que aquelas que ficam a brincar de vai e vem, de quem não sabe o que quer.

E, se no final deste ano, quando chegar à meia noite não tiveres ninguém do teu lado para abraçar ou dar um beijo, se não tiveres ninguém que te diga o quanto te ama e te quer na sua vida no próximo ano, vai até à janela, enxagua as lágrimas, olha para o céu, e agradece, por teres do teu lado a única pessoa que te é realmente fiel: tu mesmo!

Ama, respeita, e não aceites menos que isso em troca.