Ama, respeita, e não aceites menos que isso em troca.

Quanto mais o tempo passa, quanto mais experiências a vida nos proporciona, mais percebemos que temos apenas a nós mesmos, que não importa quanto digam que te amam, ou estão do teu lado, no final, existes apenas tu.

Numa tentativa desesperada de manter as pessoas que amamos por perto, submetemos-nos, muitas vezes, a situações de extremo desrespeito e desamor. E está tudo bem, porque não conseguimos ver aquilo que está a acontecer à nossa volta. Está tudo bem, porque sempre que demonstramos que algo nos incomoda, a outra parte consegue manipular-nos ao ponto de sentirmos que o problema é realmente nosso.

Vivemos relações tóxicas, em que ninguém se preocupa realmente com o outro, em que passam mais tempo no ginásio a alimentar o seu enorme ego em vez de sentarem cinco minutos do nosso lado e tentar entender o que tornou o nosso dia mau – porque para isso não existe tempo.

São relações de desapego, em que cada um vive por e para si.
Ninguém se incomoda em conhecer os gostos do outro, em saber qual é a sua cor preferida, a música que gosta mais ou a comida a que é intolerante.
Não há passeios românticos porque é parolo, não há jantares com os amigos ou a família para evitar dramas quando se separarem – sim, porque a maioria inicia uma relação a pensar no fim. Estão juntos quando dá tempo e ambos estão dispostos a estar no seu melhor, onde se sentam em lados opostos da mesa, sem dizerem uma única palavra, apenas actualizando as redes sociais com uma foto de ambos como se vivessem o melhor momento do mundo. E quando chegam a casa, depois de se terem tratado que nem dois estranhos durante horas, dizem que sentem saudades um do outro.

A maioria dos amigos apenas existe nas redes sociais: enviam mensagens nos aniversários ou datas festivas, colocam um like de vez em quando nas fotografias, marcam jantares para tirarem fotos sem perguntarem, em momento algum, como estás, o que tens feito, como te sentes.

Esta é a realidade em que nos encontramos: namoros que não são namoros, amigos que desaparecem de um dia para o outro, colegas de trabalho que torcem para o nosso insucesso.

Não, não está tudo bem viver pela metade, ser amado pela metade, ser valorizado pela metade. Porque nós não somos metades.

Então sim, está tudo bem não estar tudo bem.
Não tenhas medo de dizer o que sentes por medo de magoar o outro. Diz o que sentes, o que te incomoda, ou vai embora, em silêncio. Não procures quem te abandonou, não te culpes por quem escolheu não ficar. Deste o teu melhor, e se ainda assim não foi suficiente, não foste tu quem errou.

Faz os teus próprios planos, guarda-os apenas para ti, e não tenhas medo que te critiquem, que te julguem. A opinião dos outros será sempre isso, a opinião dos outros. Mas a forma com que te tratam, se a aceitares, aí sim, isso é um erro teu.

Valoriza-te, e faz com que te valorizem. Corta relações com o passado, não respondas a mensagens ofensivas, bloqueia quem te quer mal, não percas tempo com quem desaparece mais rápido do que aparece. Rodeia-te de pessoas positivas, que te apoiem, incentivem, respeitem, e retribuam toda a atenção e amor que lhes dás.

Permite que fique na tua vida apenas quem te acrescenta, quem te transborda, e não tenhas medo de ficar só, porque todos aqueles que forem embora, não são dignos de ti, do teu tempo, da tua dedicação.

Confesso que admiro mais as pessoas que simplesmente desaparecem do que aquelas que ficam a brincar de vai e vem, de quem não sabe o que quer.

E, se no final deste ano, quando chegar à meia noite não tiveres ninguém do teu lado para abraçar ou dar um beijo, se não tiveres ninguém que te diga o quanto te ama e te quer na sua vida no próximo ano, vai até à janela, enxagua as lágrimas, olha para o céu, e agradece, por teres do teu lado a única pessoa que te é realmente fiel: tu mesmo!

Ama, respeita, e não aceites menos que isso em troca.

Sobre dois mil e dezanove.

Pertenço à grande maioria de pessoas que todos os anos fazem uma retrospectiva dos últimos 12 meses. Mas, este ano, dei por mim a fazer retrospectivas mensais, quando não semanais. Porque – embora comece a ser sistemático dizer isto todos os anos – este foi um ano muito doido. Continua a ser.

Poderia voltar a referir as mesmas palavras que escrevi à doze meses atrás (https://apaixoneimeportieagora.blogspot.com/2018/12/dois-mil-e-dezoito.html) porque fariam todo o sentido. A única diferença é que, ao contrário do que escrevi na altura, não, não estava preparada para este ano.

Pensei várias vezes na palavra que melhor descreveria este capítulo, e gratidão é, sem dúvida, a minha escolhida. Porquê? Porque sou grata por todas as pessoas que saíram da minha vida, pelas que apareceram , e principalmente, as que se mantiveram. Sou grata por me ter permitido colocar em primeiro lugar, por ter tido coragem suficiente para dizer não nas alturas certas, por aprender que nem sempre o amor é suficiente, e que merecemos mais do que ser uma opção na vida de alguém.

As adversidades da vida mostram-nos que podemos ser igual a uma fénix: por maior que seja a queda, por mais danos que a mesma nos possa causar, sempre é possível renascer, mais fortes, mais determinados, e com mais amor por nós mesmos.

Foi um ano emocionalmente catastrófico. Citando algo que li recentemente e para mim fez todo o sentido, “este ano foi uma montanha russa, e eu estava sem cinto“. No meio desta viagem atribulada, percebi que não podemos controlar tudo, que não devemos mendigar a atenção de ninguém, que não podemos confiar em qualquer um, que a maioria das pessoas querem-nos bem mas nunca melhor que elas, que as desilusões surgem daqueles que menos esperamos, e que tudo acontece no seu devido tempo.

Talvez por isso tenha sido dos anos mais difíceis, mas com menos lágrimas. Talvez o facto de aprendermos a aceitar que, tudo aquilo que vem, vai, facilite o processo que achávamos ser de perda, mas na verdade é de aprendizagem. Desta vez, não irei dizer que estou preparada para o próximo ano. Vou apenas agradecer, por todo o ensinamento.

Obrigada.

Las chicas del cable

Hoje falo sobre aquela que considero uma das melhores séries de sempre: Las chicas del cable.

Para quem não conhece (e tentando não dar muito spoiler), a série inicia em 1928, aborda vários temas delicados e que nem sempre lhes damos o devido valor (violência doméstica, aborto, transexualidade, racismo, abuso de poder, etc.).

As quatro personagens principais têm personalidades e histórias totalmente diferentes, e ao longo das quatro temporadas que devorei nos últimos dias, consegui identificar-me com partes de todas elas (bipolar? ahah).

Mas falando do ponto focal que me fez escrever sobre esta série: nesta altura, as mulheres não tinham voz, não tinham direito a pensar, a ter opinião. Eram sujeitas a situações repugnantes por abuso de poder por parte dos homens, eram humilhadas e vistas como seres irracionais que serviam apenas para criar os filhos e servir os maridos.

Realço que este post não é, de todo, um ataque aos homens, mas sim uma reflexão sobre o quanto nós, mulheres, devemos valorizar a nossa existência.

Estamos a falar de cerca de 90 anos atrás apenas. 90 anos foi ontem. E ter a possibilidade de ver o quanto as coisas mudaram fez-me questionar sobre muita coisa.

Hoje não precisamos mais esconder-nos atrás de um homem, não temos que temer o que pensa a sociedade. Somos livres, tivemos o privilégio de nascer livres porque alguém lutou imenso para que isso acontecesse.

E agora eu pergunto, teremos nós a real noção do que é ser livres? Teremos a consciência do que conquistaram para nós, e que nós poderemos conquistar, não apenas para nós, mas para os nossos descendentes futuros?

Infelizmente ainda vivemos rodeados de pessoas que se importam demasiado com a opinião dos mal amados, que não se permitem viver, correr riscos por medo de falhar.

Todos vamos falhar, todos vamos cometer erros. Cabe-nos aprender com eles, seguir em frente, e lutar pelo melhor, sempre!

Por isso, mulheres, quem não conhece a série, por favor, vejam, e tirem as vossas próprias conclusões. Façam uma retrospectiva da vossa vida, se estão a valorizar o que realmente importa ou se estão a permitir-se viver na sombra de alguém.

Maus tratos não é amor, agressividade não é amor, manipulação e controlo não é amor. Amor é apoio, é incentivo, é respeito, carinho. Não tenham medo de estar sós, não tenham medo de terminar uma relação que não vos faz feliz, não tenham medo das opiniões. Quem muito fala, muito tem que se lhe diga. Não vivam em função do que os outros acham correto, não permitam que escolham por vocês.

Falem, gritem, imponham-se. Ouçam e façam com que vos ouçam, sejam vocês mesmas, sem medos. Vivam. Sejam livres. (e vejam a série)

E tu? Como te sentes hoje? #2

Quando os dois primeiros parágrafos deste texto terminarem de ser lidos, uma pessoa terá morrido por suicídio. A cada 40 segundos, alguém no mundo interrompe a própria vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de óbitos auto-provocados é significativamente maior que aqueles causados por homicídio: 800 mil por ano, contra 470 mil. 

A notícia é de Junho de 2018 e é assustadora (deixo link do site no final do texto).

Existem assuntos que necessitam de um enorme cuidado quando são falados, e este é um deles.

São vários os motivos que podem levar alguém a colocar termo à sua vida: bullying, problemas familiares, desgostos amorosos, depressão, traumas emocionais, consumo de álcool e outras substâncias.

É muito fácil relativizar os problemas dos outros, é muito fácil apontar o dedo e dizer “só quer atenção“, “que dramático“. E se todos parássemos cinco minutos para reflectir quantas vezes contribuímos para um desfecho destes? Quantos comentários maldosos fazemos, muitas vezes inconscientemente?

Vivemos numa era completamente digital. Se não estiver na Internet, não aconteceu, se o número de likes não for minimamente aceitável, questiona-se qual será o problema da fotografia. E os comentários, quantas não são as pessoas que se escondem atrás de um ecrã para distribuir ódio gratuitamente?

Para quem não sabe, eu vou contar um segredo: é da natureza humana absorver mais facilmente as críticas do que os elogios. Se é correto? Não. Mas efectivamente, é o que acontece.

Então, todas as vezes que vocês deixam um comentário a alguém insultando a pessoa, quando falam mal do seu cabelo, da roupa, do corpo, o que seja, em algum momento pensaram no que ela iria sentir ao ler a vossa opinião?

Não justifiquem falta de empatia com liberdade de expressão. Se eu não gosto de uma foto, passo à seguinte. Ninguém obriga a colocar like, ninguém obriga a comentar.

A vossa amiga pintou o cabelo e vocês acham que não favorece. Se ela pedir opinião, digam-lhe que, se ela gosta, é o que importa. Não sejam rudes só porque “ah e tal, mas é minha amiga e eu tenho de ser sincero”.
Não.

Não estou a divagar, é nos pequenos pormenores que tudo começa. E que podemos fazer a diferença.

Existem vários termos científicos para caracterizar quem tem pensamentos suicidas. E a maioria não devia ser citado sequer. Porquê?

Conseguem imaginar o impacto que determinados rótulos podem ter em alguém que, por qualquer motivo, está insatisfeito com a sua vida? Como se sentem ao serem “diferenciados”?
Que atire a primeira pedra quem nunca se sentiu mal consigo mesmo!

Suicídio é um assunto sério. Depressão é um assunto sério. Não classifiquem as pessoas como doentes mentais, não lhes coloquem rótulos, não as menosprezem. Ouçam-nas, apoiem-nas, ajudem-nas.

Estamos a falar de vidas humanas, não de um personagem fictício de uma novela, ou de um jogo onde podemos recomeçar quando dá ruim.

É a nossa vida, é a vida de alguém. Não continuem a agir como se estivéssemos num filme, nem a fingir que não se importam com os outros. E mesmo que isso aconteça, guardem essa indiferença para vocês mesmos.

Para todos aqueles que estão numa fase menos boa da sua vida, seja o que for, existe sempre uma saída. Por maior que pareça o problema, por mais difícil que seja encontrar uma solução, às vezes basta termos um pouco de calma, respirar fundo e ver a situação de outra perspetiva. E quando isso não for suficiente, procurem ajuda, não tenham medo, não tenham vergonha. O colo de alguém pode ser o nosso melhor atalho para encontrar a paz que precisamos.

E tu, se alguém procurar o teu colo, não hesites em o dar. Não questiones o porquê, não desvalorizes, nem rejeites.
Apenas ouve, conforta, e mostra que existe um sítio seguro para onde possam voltar.

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2018/06/24/interna_ciencia_saude,690529/suicidio-e-responsavel-por-800-mil-mortes-anuais-e-avanca-pelos-paises.shtml

Quando o amor descansa em nós.

Coração acelerado, formigueiro no estômago, 
mãos suadas, dificuldade em respirar.
Nervosismo, ansiedade, suspense.
Parece um diagnóstico de uma doença qualquer mas, 
na verdade, são apenas pseudo sintomas do amor.
Ah, o amor. 

Sempre me disseram que precisava sentir tudo isto quando conhecia alguém que podia ser o meu parceiro no amor. Provavelmente seria alguém com quem me cruzaria no meio da rua ou à saída de uma loja, haveria uma troca de olhares, um sorriso envergonhado e, ups, ali estava ele, amor à primeira vista. Talvez não estejam totalmente errados quando descrevem o amor com tanto cliché, mas hoje sei que o amor é mais que isso.

É mais que a euforia dos primeiros meses, o desejo de estar constantemente com a pessoa, de quase não conseguir dormir, respirar, de sentir o coração a saltar pela garganta. O amor pode chegar com a calma de um furacão, ou com a suavidade da brisa do mar.

Não desvalorizo nenhum tipo de amor, mas hoje falo de um amor diferente. Um amor que chega sem causar qualquer dano, que chega todos os dias um pouco mais. Um amor leve, livre, genuíno, calmo, simples. Sem qualquer tipo de cobrança, sem mentiras, sem segredos.
Um amor onde se converse em vez de discutir, onde se fala sem gritar, sem ofender, onde há apoio em vez de apontar o dedo. Um amor cheio de sentimentos que nos acrescentam, que nos fazem bem, que nos transbordam.


Alguém que nos transborde.

Tu sabes que estás no caminho certo quando perdes o interesse em sair para conhecer outras pessoas, quando respeito e confiança não são qualquer sacrifício para ti, quando tudo o que fazes, é por saberes que é o correto, e não apenas por alguém dizer que o deves fazer.

Tu sabes que encontraste a pessoa certa quando as saídas previamente planeadas passam a ser a tua rotina preferida, quando o outro deixa de ser uma novidade e passa a ser parte de ti, quando sorris só de lembrar do seu sorriso, quando sentes o seu cheiro apenas presente na tua memória, quando o seu abraço é o teu porto seguro, o teu porto de abrigo, de tranquilidade.


Podemos viver muitos tipos de amor: alguns são passageiros, outros platónicos, ilusórios, ou apenas amores que por diversos motivos não eram para resultar. Cada um tem o seu tempo, a sua intensidade. Mas, quando encontrares o tal, tu saberás. 


O amor não é desgastante, não é doloroso. 
O amor cura, faz-nos renascer. 
Sem ódio, sem rancor.
O amor é paz.


Quando o amor descansa em nós. 

E tu? Como te sentes hoje? #1

Chegou o verão, altura de sol, praia, mar. Combinamos com a família ou os amigos em passar um dia agradável à beira mar, até que chega o grande problema: vestir o biquíni.

Se fosse à cinco anos atrás, nunca postaria uma fotografia em biquíni, na verdade, nem o vestiria. Talvez por isso sempre tenha dito que não gostava de praia.

Que atire a primeira pedra quem nunca se sentiu mal com o seu corpo. Porque se nunca tiverem tido qualquer tipo de complexos com ele, então tenho uma inveja saudável vossa.

Não faz muito tempo conheci uma menina que estava a passar por uma fase idêntica à minha. Quando olhava para ela só pensava “caramba, será que ela não consegue perceber que é tão linda assim?“. Isso é o que sempre temos tendência a fazer, desvalorizar a dor do outro, esquecendo muitas vezes que outrora fomos nós a sentir o mesmo.

Se olho no espelho e gosto de tudo o que vejo? Não. Se estou super à vontade com o meu corpo? Claro que não.

Não emagreci, não perdi a celulite (pelo contrário), não fiquei morena, nem cresci um único centímetro. Perdi peito, ganhei uns centímetros na barriga e as coxas continuam a ocupar demasiado espaço nas calças. Mas aqui estou eu, de biquíni, na praia, sem pensar nas minhas pernas brancas, na gordura a mais ou seja no que for.

É o segundo ano em que vou à praia com a minha família, em que uso calções sem meia calça, em que olho no espelho e sei que não é o que eu queria ver, mas é o que sou, o que tenho, e enquanto não alcanço o meu objetivo (não sei fazer dietas e sou péssima atleta no ginásio), aceito-me, tal como sou. E encolhendo a barriga para a fotografia claro (ahah).

Foi isso que mudou na minha vida nos últimos anos, aprendi a amar-me, a aceitar-me. Então, para todos aqueles que no ano anterior me enviaram mensagens com comentários desagradáveis por publicar uma foto em biquíni, e todos aqueles que neste momento o estão a pensar em fazer, não, não estou à procura de provocar ninguém, não me estou a vulgarizar, não estou a ser “uma qualquer”. O que para vocês é mais uma fotografia, mais uma miúda a pavonear-se nas redes sociais, para mim é uma conquista, é um avanço na aceitação do meu corpo.

Espero que um dia, a Beatriz consiga olhar no espelho e gostar de si mesma, que se veja do jeito que eu a vejo. Porque acreditem, ela é incrível!

Hoje sinto-me incrivelmente bem. E tu? Como te sentes hoje?