empatia. mais empatia.

Nos últimos dias o Mundo uniu-se em prol de um movimento defensor de algo que nunca deveria ter sido sequer motivo de luta: o direito pelo respeito, pela igualdade.

Para os críticos da internet, quando dizem que uma fotografia em preto não muda nada, bem, talvez não. Ou talvez seja um pequenino gesto de posicionamento e tentativa de consciencialização.

Não sejamos hipócritas.

Todos sabemos que todas as vidas importam. Ou pelo menos preocupamo-nos com as nossas e daqueles que amamos. Mas algo que me chega a revoltar um bocadinho é que, diariamente, é destilado ódio sobre o tom de pele, a nacionalidade, orientação sexual, até escolhas alimentares. Acreditem, sei do que falo. E está tudo bem. Se fizermos um movimento de “todas as vidas importam”, ninguém se irá opor. Irá parecer que estamos unidos, quando na verdade, estamos cada vez mais afastados. E basta selecionar um tema em específico, que logo aparece alguém com “ah mas importamos todos, não apenas eles”.

Deixo aqui um pequeno exemplo daquilo que está a acontecer com esse tipo de posicionamento:

Num grupo de 5 adolescentes, apenas uma tem excesso de peso. Todos os dias é gozada pelos colegas na escola. Até que um dia, alguém toma consciência e decide defender a menina. Quem vocês seriam nessa luta? Alguém que defende o direito de uma simples adolescente poder ir à escola sem chorar todas as vezes que se olha no espelho, sem odiar o formato do seu corpo, e acordar a pensar quais seriam os insultos que teria de enfrentar durante o dia, ou aqueles que iriam esconder-ser atrás de um muro dizendo “ah, mas todos sofremos bullying em alguma altura da nossa vida”, sendo que nunca foram esse alguém?

É importante entenderem que, lamentavelmente, vivemos num mundo onde ainda precisamos lutar por coisas que nem fazem qualquer sentido, deveriam ser um direito e não uma lei à espera de ser aceite e respeitada.
E não, nenhuma luta se ganha dizendo que somos todos iguais, não quando a sociedade continua a forçosamente nos separar em categorias.

Amanhã erguemos uma bandeira contra a xenofobia, machismo, gordofobia, bullying, transfobia, homofobia (e todos os outros tipos de preconceito que nos continuam a rodear, e que são tantos que me deixam doente). Mas hoje, hoje lutamos contra o racismo.

Não lutamos contra os nossos vizinhos, contra policiais ou políticos.
Lutamos contra TODOS aqueles que terminam a liberdade do outro em prol da sua.

Uma luta de cada vez, e quando ninguém precisar de continuar a explicar porque deveria ser tratado com respeito, nesse dia saímos todos à rua, de mãos dadas, num real movimento de #todasasvidasimportam, ou #liberdade, #igualdade. Todas aquelas coisas que só existem na teoria, sabem?

São muitos anos a ir contra o preconceito, a ouvir coisas como “mas porque defendes os pretos se nem és preta?”, “porque defendes os gays se não és lésbica?”, “porque, porque …”. Eu explico: porque sou humana, porque defendo o verdadeiro sentido das palavras IGUALDADE e LIBERDADE. Porque valorizo a vida de cada um. E não preciso de ser atacada para me saber colocar no lugar do outro.

Então, quando me dizem “a tua opinião não vai mudar nada”, bem, talvez não. Até porque, sempre que vejo alguém a tentar usar a sua voz para ir contra o sistema, normalmente aparece morto.

A voz de um é abafada, mas a de todos não.

Façamo-nos ouvir, porque enquanto uns dormem descansados nas suas casas, com tranquilidade e harmonia, outros vivem num inferno. E tal como vocês dizem, todas as vidas importam. Importem-se com elas então. Não precisam colocar fotos em preto, não precisam sair à rua. Mas podem, e devem, respeitar todos da mesma maneira, e ensinar os mais pequenos a olhar os outros da mesma maneira, e não com medo e ódio por serem diferentes de si.

Empatia!

Ah, e não esquecendo, #blacklivesmatter.

altura de fazer uma pausa.

Uma página em branco, um cursor que pisca por tempo indeterminado.
Um sufoco de palavras que não saem, um silêncio ensurdecedor.
Esta é a melhor definição da minha vida.
Bem vindos .

Estamos quase no final de Maio.
Todos os dias abro uma nova página no blog na ânsia de escrever qualquer coisa que seja relevante, que tenha o mínimo interesse para ser dito. E não consigo. Tenho um misto de sentimentos, pensamentos. Escrevo uma frase, e penso “para quê?”.

Talvez dê demasiado valor às coisas, talvez continue a criar expectativas que têm tudo para dar errado, talvez continue a achar que “desta vez vai correr bem“, quando na verdade sei que não acontecerá. Não sei se é apenas comigo, se é um mal geral.
Dizem que os loucos sabem muita coisa. Bem, de louca já não posso ser chamada, porque se pouco sabia, agora nada sei.

É, está bastante difícil.

As pessoas continuam a ir embora sem explicação, o ciclo de amigos torna-se cada vez mais pequeno, sou constantemente cobrada por pessoas que nem me conhecem. E porquê? Para quê? Nada faz sentido.

Lidar com pessoas é cansativo, sabem?

Talvez um dia escreva um livro a contar todo o ódio gratuíto que já recebi por publicar uma foto em biquíni, todas as vezes que me apontaram defeitos por não corresponder à imagem de “namorada perfeita”, por ser demasiado dramática quando escrevo, ou todos aqueles que diziam ser meus amigos e na primeira oportunidade me abandonaram.

As pessoas cansam-se uma das outras, mudam de prioridades, eu entendo.
Mas é frustrante.

Apresentam-se com toda a motivação, conhecemo-las, damos-nos a conhecer, expomos a nossa intimidade, partilhamos os nossos sonhos, medos, traumas, e confiamos, confiamos ao ponto de não termos limites para nada. E depois, de um dia para o outro, tudo muda. Passamos a ser um segundo plano, somos julgados, desvalorizados, deixados de lado. Para nos conquistarem, apostam tudo, e quando nos consideram seguros, o encanto, a conquista, o empenho, a dedicação, tudo se perde, tudo deixa de ter valor.

Não sei se são efeitos desta pandemia, se é demasiado tempo sem apanhar sol, se o meu nível de pensamentos aleatórios e simultâneos aumentou, se a minha fobia social se solidificou, ou se simplesmente estou cansada, mas neste momento, quando acordo, já não pego no telemóvel para ver as mensagens que tenho para responder, ou se tenho alguma mensagem, não faço mais planos para o fim de semana, passo os dias focada no trabalho.
E está tudo bem.

Então, aproveito este texto para pedir desculpa a todas as pessoas que me enviam mensagens e eu respondo dias ou semanas depois, ou aquelas que não conheço e simplesmente não respondo. Não é por mal, de verdade.
Mas chega uma altura em que já não temos interesse em conhecer pessoas novas e começar tudo de novo, em que é necessário fazer uma pausa, em que temos de perceber quem merece o nosso tempo, a nossa atenção, redefinir prioridades. E perceber que, de todas essas prioridades, nós temos de ser a principal.

Esta é a minha pausa.

Provavelmente já a devia ter feito à muito tempo, ou talvez precisasse de chegar ao limite para entender que devia parar, olhar para mim mesma e perceber o que me faz bem, o que me faz mal, o que devo aceitar dos outros, e o que não devo aceitar.

Não procuro uma vida louca, cheia de futilidades e pessoas que na verdade nem querem saber de mim, que apenas esperam os benefícios do meu lado bom. Não quero viver em função da aprovação dos outros, na expectativa de agradar a todos, de receber elogios e promessas de um futuro onde não me incluem.

Os meus sonhos aos vinte e cinco anos não são os mesmos que tinha aos quinze, os meus objetivos de hoje não são os mesmos de à um ano atrás.
As pessoas mudam, e nessa mudança, temos duas opções: seguir sozinhos, ou acompanhados por alguém que queira seguir do nosso lado.

Este é o meu momento, de me despir de medos e fantasmas, de olhar para mim, por mim. De selecionar, aceitar e abdicar. De bloquear pessoas se for necessário, de não aceitar a maldade dos outros. Em alguma altura, todos precisamos parar, refletir, e agir para não permitir que os outros nos transformem naquilo que não queremos ser. Todos precisamos de uma pausa.

E esta é a minha.

Com carinho,
Sofia.

Está tudo bem não estar tudo bem.

Hoje encerramos o mês de Março.
Adoraria dizer que com ele terminamos esta maré assustadoramente surreal, mas não, na verdade, acho que estamos apenas no início.

Não tenho muito a dizer sobre este último mês, apenas que as nossas vidas estão todas condicionadas, todos os dias morrem imensas pessoas (sim, já sei que isso antes também acontecia). Hoje decidi partilhar o meu ponto de vista sobre tudo isto que, vale o que vale:

  • O mundo nunca mais será igual.
  • Avisinha-se uma enorme crise económica.
  • Pessoas que amamos estão em perigo iminente.
  • Pessoas que amamos, morrem.
  • Não podemos abraçar ninguém.
  • Existem imensos governadores no mundo que estão nem aí para a vida humana.
  • Admiro quem está em casa e se torna produtivo.
  • Não precisam de se sentir frustrados por não serem produtivos.
  • Ninguém sabe o que este vírus é na verdade.
  • O mundo está uma loucura.
  • Ansiedade é uma treta.

Admiro quem consegue ser motivador no meio de tudo isto, sério. Acho incrível que existam pessoas capazes de partilhar vídeos com exercícios, mensagens motivadoras. Até porque nós somos mesmo assim, sempre a querer ser positivos, a ver o melhor lado das coisas. Isso é importante! Mas, enviar 59873872 videos, mensagens de voz e mensagens todos os dias, por todas as redes sociais, torna-se um bocadinho o efeito contrário ao que era suposto, sabem?

Todos temos medo. E está tudo bem nisso. Sério, está tudo bem em sentirmos medo, em ficar o dia todo no sofá, em não fazermos mil e uma coisa, em não fingirmos que é um dia normal porque, efetivamente, não é!

Não precisamos ser dramáticos, não precisamos de piorar o cenário, okay. Mas podemos ser honestos com aquilo que sentimos, e não nos sentirmos mal por isso. Viver esta situação é mau para toda a gente, e para quem sofre de ansiedade, depressão? Conseguem imaginar o que vai na cabeça de cada um? O pânico constante que se instala? E se essas pessoas se sentirem umas incompetentes porque não são capazes de fazer nada além de ficar o dia todo de pijama sem fazer nada, acreditem, o vírus não será o seu problema.

Então, antes que me bombardeiem com insultos e comentários do género “ah mas se não querem ver não seguem”, volto a referir, admiro quem está a ser um enorme incentivador para manter as rotinas, admiro quem está constantemente a dizer “vai ficar tudo bem”. Mas, neste momento, não está tudo bem. Então, para quem se sente assim, embora ninguém vos diga, ESTÁ TUDO BEM NÃO ESTAR NADA BEM, está tudo bem em não fazerem nada o dia todo, em pensarem em mil e um disparates, em verem todas as séries da Netflix.

Não esperem compreensão de todos, se nunca a tiveram, agora muito menos. Não esperem que todos estejam dispostos a lidar com os vossos dramas. Ninguém gosta de gente dramática.

Deixo, por fim, o meu conselho: se ainda não o fizeram, aprendam a ser por vocês mesmos, aprendam a selecionar com quem podem contar. Se precisarem de ajuda, procurem. Aproveitem todo este tempo de imensos pensamentos para perceberem aquilo que gostariam de mudar nas vossas vidas, quem querem abraçar quando tudo isto terminar. Este vírus veio mostrar, mais uma vez, que não temos qualquer controle sobre a vida, e que de um momento para o outro, tudo acaba.

Talvez tudo fique bem, esperamos que sim. Mas por agora não está tudo bem, e não há problema em assumir isso.

Para vocês que são cérebros que não descansam, que são ansiedade em forma de pessoa, que “são dramáticos e tudo é um problema”, estamos juntos. 🙂

não percam tempo.

Sinto-me assustada.

Nunca pensei que algum dia iria viver este enorme sufoco pelo qual o Mundo está a passar. Nunca pensei que chegaríamos a tal ponto. Mas infelizmente aqui estamos nós, a lutar pela sobrevivência, a lutar para enfrentar uma luta futura ainda maior. Mas a natureza não erra, tudo tem um propósito para acontecer, eu acredito nisso.

No meio de todo este cenário de terror, conseguimos perceber como as simples coisas da vida nos podem fazer tanta falta. Vejo famílias que não sabem o que fazer com os filhos em casa porque não estão habituadas a ter tempo para eles. Presencio as maiores atrocidades do ser humano, a falta de respeito, bom senso, empatia para com o próximo. Isso não me surpreende, porque a nossa sociedade é egocêntrica, tóxica. Cada vez mais tenho certezas disso. Mas, bem, hoje não pretendo alimentar ainda mais este medo que todos sentimos 24 horas por dia.

Com algum tempo livre, que confesso já não saber o que era faz muito tempo, andei a ver os meus albuns de fotografias, e no meio de todas as mil e uma fotos que têm imensas recordações e histórias para contar, encontrei uma fotografia de escola com os meus primeiros amigos. Dois meses depois de entrar para a primária, mudei de casa, de escola, e alguns deles nunca mais os vi. A maioria consegui ir mantendo algum contacto, e outros encontrar anos mais tarde.

Porque estou eu a falar disto agora?

Bem, porque nunca pensei que, 18 anos depois daquela fotografia, dois deles teriam morrido de forma tão imprevisível e injusta. Mas, aconteceu. E isto reflete a nossa vida. Nunca sabemos o que nos espera, nunca sabemos com o que podemos contar, até acontecer.

Agora questiono-me, qual é o valor da vida humana? Valorizamos a vida que temos? Quando nos queixamos de tudo e mais alguma coisa, quando abdicamos de tempo com aqueles que amamos por sempre haver algo mais importante para fazer, será realmente a atitude correta?

Não, não é.

Quantos amores estão a deixar de ser vividos porque “um dia logo se vê” ou “agora não é o momento certo”? Quantos pedidos de desculpa devemos a alguém? Quantos pedidos de desculpa devem a nós? Quando foi a última vez que dissemos aos nossos pais que os adoramos? Quando foi a última vez que falamos com aquele amigo que sempre dizemos marcar um café e nunca acontece?

Sabem, eu entendo porque não entendo na verdade.
Criamos uma linha temporal enorme na nossa cabeça, a correria do dia a dia ilude-nos que ainda temos tanto para viver. E essa falsa ideia faz com que desperdicemos oportunidades, adiamos conversas e decisões porque sempre achamos que teremos tempo, fica para depois. Mas o depois, pode ser demasiado tarde.

Num dia acordamos a achar que vamos ter um dia super tranquilo, e no outro, quando olhamos para o lado, os amigos desapareceram, aquele grande amor pertence agora a outra pessoa. As pessoas que amamos vão embora, de um jeito ou de outro. E aquela vida que aos 20 anos achávamos que não queríamos porque ainda era cedo, bem, talvez não tenhamos oportunidade de a viver porque aos 30 podemos já não estar cá. Ou as pessoas que amamos podem já ter partido. E depois? O que resta?

Restam-nos arrependimentos, um acumular de “e se”, “se eu soubesse”.

Não, nós não sabemos nada. Ficar à espera que a vida faça o seu trabalho é o mesmo que esperar que tudo termine mesmo antes de começar. Porque no dia em que as pessoas forem embora da nossa vida, restam as memórias. E a nossa memória é a nossa pior inimiga, sabem? Porque com o tempo, as lembranças começam a desvanecer, tentamos voltar a lugares que já não existem, criamos histórias na nossa própria cabeça para manter viva a sua presença, mas quando percebemos, já quase nem conseguimos lembrar do seu cheiro, do som da sua gargalhada, do conforto do seu abraço.

Na virada do ano, achei que 2020 seria um excelente ano, os planos eram imensos, as expectativas bastante elevadas. Quem diria que, pouco mais de dois meses depois estaria a desejar que o ano acabasse de uma vez por todas?

Então, agora que todos teremos mais tempo para refletir sobre a vida, talvez esta seja a altura de tomar decisões. Talvez agora seja o momento certo para dizermos às pessoas que amamos aquilo que elas significam para nós, de pedir desculpa a quem devemos, de resolver mágoas passadas. Talvez o universo nos esteja a chamar à atenção para o que temos feito de errado, e nos esteja a dar uma oportunidade para, quando tudo isto passar, abraçarmos as pessoas que amamos com força, para ajudar quem precisa da nossa ajuda, para aprendermos o que significa empatia e colocar em prática.

Amem, respeitem, deixem-se de desculpas e tomem decisões. Assumam os vossos erros, deixem o orgulho de lado. Amem, e aprendam a ser amados.

E acima de tudo, não percam tempo, porque ninguém sabe quanto tempo dura o tempo.

Que o amor envolva os vossos corações.

Mulher.

Sou mulher.

Sou mulher e todos os dias, é o meu dia.
Todos os dias vejo-me obrigada a lutar para conquistar o meu lugar que me deveria ser dado naturalmente.

Ouço piropos e comentários desagradáveis. Se respondo, sou rude. Se me calo, é porque gosto.

Nós, mulheres, continuamos a morrer pelas mãos dos homens em quem confiamos. Nós, mulheres, continuamos a ser julgadas por todos à nossa volta.

Caracterizam o dia da mulher como sendo o único dia do ano em que as mulheres podem fazer o que querem, porque os restantes dias, não podem.

Então, não, não quero que me ofereçam flores, não quero que façam textos bonitos.

Quero que me respeitem, a mim, e a todas as mulheres. Não apenas hoje, mas todos os dias!

Obrigada.

Quase nos vinte e cinco.

Daqui a precisamente quatro dias entro nos vinte e cinco.
Com os meus 8/9 anos imaginava que quando chegasse a esta idade já seria mãe, teria um emprego xpto, uma casa, andaria sempre de vestido e salto alto, uma autêntica lady. Mas, adivinhem só, nada disso aconteceu.

O ciclo dos vinte para mim têm sido bem doidos. É uma fase em que ninguém me considera uma adulta mas também já não sou adolescente.
E parece que a cada ano que passa, a tendência é os anos se superarem uns aos outros, cada vez mais. Por isso acaba por ser um pouco monótono dizer “este ano foi particularmente difícil, muita coisa aconteceu, muita coisa mudou”, blá blá blá, pensam vocês. Mas a verdade, é que efetivamente é assim mesmo. Não sei se é apenas comigo, mas todos os anos, meses, semanas, dias consigo surpreender-me a mim mesma.

Há precisamente um ano atrás muita coisa estava a mudar na minha vida. E acreditem ou não, 2019 foi o ano mais montanha russa que já tive, e por isso, até agora, os 24 foram aqueles em que mais mudei.
Fiz as minhas tatuagens, fui pela primeira vez a uma discoteca (sim, primeira vez!), despedi-me do trabalho que tinha para investir em mim mesma, consegui dedicar mais tempo aos meus amigos, à minha família.

Basicamente foi aquele ano em que muita gente me chamou de louca, que duvidaram da minha sanidade mental. E sabem que mais? Essas foram as melhores decisões da minha vida!

Deixei para trás todas as pessoas tóxicas que existiam ao meu redor e me adoeciam sem eu perceber, valorizei-me, fui à luta, sem ouvir as críticas daqueles que na verdade não me desejam nada de bom, pelo contrário.
Defendi incansavelmente causas em que acredito, e independentemente daquilo que me chamem por isso, continuarei a fazê-lo, cada vez mais.

Tenho 100% certeza de que daqui para a frente muito me espera, e estou de bem com isso. Na verdade, estou super preparada para tudo o que possa vir, seja de bom ou de menos bom. Porque no final, tudo serve para fortalecer, para fazer crescer. E hoje eu sei que, aqueles que valem o nosso esforço e dedicação, estão sempre do nosso lado. Que é preciso dias de chuva para que se veja o nascer do arco-íris.

Não tenho uma lista de objetivos a realizar este ano. Tenho sonhos e objetivos, que serão cumpridos na sua hora, no seu momento, ao seu ritmo.
Parei de colocar pressão em mim mesma, ou nos anos, porque se há coisa que aprendi é que a vida sempre nos surpreende. Leva consigo o que tanto queríamos para nos oferecer o que merecemos. E isso não é certo nem errado, é o que tem de ser, acho eu.

Como me disseram à algum tempo, “quando as coisas não acontecerem da maneira que imaginavas, aproveita aquilo que surge em sua vez”.
Acho que a vida é mesmo isso, se não pudermos seguir pelo caminho principal, apanhamos um atalho. No tempo certo, encontraremos de novo o caminho do qual nos desviamos, ou então não, talvez o atalho fosse na verdade o caminho principal, e quando menos percebermos, estamos onde sempre tivemos de estar. Ainda que isso não seja o que imaginávamos.

Resumindo, não sei se é suposto haver uma idade “certa” para as pessoas mudarem porque eu mudo todos os anos, todos os dias – felizmente.
E com isso agradeço imenso aos meus 24 anos marcados pelas escolhas mais acertadas e também as mais incorretas, pela chegada e partida de pessoas que nunca imaginei, por me ter levado ao meu limite e ainda assim continuar aqui.

Não sei o que os 25 me reservam, mas tenho esperança que sejam o melhoramento daquilo em que me tenho tornado porque, acreditem ou não, tem sido a minha melhor versão!

Um bem haja aos vintes, os loucos vintes!

Ama, respeita, e não aceites menos que isso em troca.

Quanto mais o tempo passa, quanto mais experiências a vida nos proporciona, mais percebemos que temos apenas a nós mesmos, que não importa quanto digam que te amam, ou estão do teu lado, no final, existes apenas tu.

Numa tentativa desesperada de manter as pessoas que amamos por perto, submetemos-nos, muitas vezes, a situações de extremo desrespeito e desamor. E está tudo bem, porque não conseguimos ver aquilo que está a acontecer à nossa volta. Está tudo bem, porque sempre que demonstramos que algo nos incomoda, a outra parte consegue manipular-nos ao ponto de sentirmos que o problema é realmente nosso.

Vivemos relações tóxicas, em que ninguém se preocupa realmente com o outro, em que passam mais tempo no ginásio a alimentar o seu enorme ego em vez de sentarem cinco minutos do nosso lado e tentar entender o que tornou o nosso dia mau – porque para isso não existe tempo.

São relações de desapego, em que cada um vive por e para si.
Ninguém se incomoda em conhecer os gostos do outro, em saber qual é a sua cor preferida, a música que gosta mais ou a comida a que é intolerante.
Não há passeios românticos porque é parolo, não há jantares com os amigos ou a família para evitar dramas quando se separarem – sim, porque a maioria inicia uma relação a pensar no fim. Estão juntos quando dá tempo e ambos estão dispostos a estar no seu melhor, onde se sentam em lados opostos da mesa, sem dizerem uma única palavra, apenas actualizando as redes sociais com uma foto de ambos como se vivessem o melhor momento do mundo. E quando chegam a casa, depois de se terem tratado que nem dois estranhos durante horas, dizem que sentem saudades um do outro.

A maioria dos amigos apenas existe nas redes sociais: enviam mensagens nos aniversários ou datas festivas, colocam um like de vez em quando nas fotografias, marcam jantares para tirarem fotos sem perguntarem, em momento algum, como estás, o que tens feito, como te sentes.

Esta é a realidade em que nos encontramos: namoros que não são namoros, amigos que desaparecem de um dia para o outro, colegas de trabalho que torcem para o nosso insucesso.

Não, não está tudo bem viver pela metade, ser amado pela metade, ser valorizado pela metade. Porque nós não somos metades.

Então sim, está tudo bem não estar tudo bem.
Não tenhas medo de dizer o que sentes por medo de magoar o outro. Diz o que sentes, o que te incomoda, ou vai embora, em silêncio. Não procures quem te abandonou, não te culpes por quem escolheu não ficar. Deste o teu melhor, e se ainda assim não foi suficiente, não foste tu quem errou.

Faz os teus próprios planos, guarda-os apenas para ti, e não tenhas medo que te critiquem, que te julguem. A opinião dos outros será sempre isso, a opinião dos outros. Mas a forma com que te tratam, se a aceitares, aí sim, isso é um erro teu.

Valoriza-te, e faz com que te valorizem. Corta relações com o passado, não respondas a mensagens ofensivas, bloqueia quem te quer mal, não percas tempo com quem desaparece mais rápido do que aparece. Rodeia-te de pessoas positivas, que te apoiem, incentivem, respeitem, e retribuam toda a atenção e amor que lhes dás.

Permite que fique na tua vida apenas quem te acrescenta, quem te transborda, e não tenhas medo de ficar só, porque todos aqueles que forem embora, não são dignos de ti, do teu tempo, da tua dedicação.

Confesso que admiro mais as pessoas que simplesmente desaparecem do que aquelas que ficam a brincar de vai e vem, de quem não sabe o que quer.

E, se no final deste ano, quando chegar à meia noite não tiveres ninguém do teu lado para abraçar ou dar um beijo, se não tiveres ninguém que te diga o quanto te ama e te quer na sua vida no próximo ano, vai até à janela, enxagua as lágrimas, olha para o céu, e agradece, por teres do teu lado a única pessoa que te é realmente fiel: tu mesmo!

Ama, respeita, e não aceites menos que isso em troca.

Sobre dois mil e dezanove.

Pertenço à grande maioria de pessoas que todos os anos fazem uma retrospectiva dos últimos 12 meses. Mas, este ano, dei por mim a fazer retrospectivas mensais, quando não semanais. Porque – embora comece a ser sistemático dizer isto todos os anos – este foi um ano muito doido. Continua a ser.

Poderia voltar a referir as mesmas palavras que escrevi à doze meses atrás (https://apaixoneimeportieagora.blogspot.com/2018/12/dois-mil-e-dezoito.html) porque fariam todo o sentido. A única diferença é que, ao contrário do que escrevi na altura, não, não estava preparada para este ano.

Pensei várias vezes na palavra que melhor descreveria este capítulo, e gratidão é, sem dúvida, a minha escolhida. Porquê? Porque sou grata por todas as pessoas que saíram da minha vida, pelas que apareceram , e principalmente, as que se mantiveram. Sou grata por me ter permitido colocar em primeiro lugar, por ter tido coragem suficiente para dizer não nas alturas certas, por aprender que nem sempre o amor é suficiente, e que merecemos mais do que ser uma opção na vida de alguém.

As adversidades da vida mostram-nos que podemos ser igual a uma fénix: por maior que seja a queda, por mais danos que a mesma nos possa causar, sempre é possível renascer, mais fortes, mais determinados, e com mais amor por nós mesmos.

Foi um ano emocionalmente catastrófico. Citando algo que li recentemente e para mim fez todo o sentido, “este ano foi uma montanha russa, e eu estava sem cinto“. No meio desta viagem atribulada, percebi que não podemos controlar tudo, que não devemos mendigar a atenção de ninguém, que não podemos confiar em qualquer um, que a maioria das pessoas querem-nos bem mas nunca melhor que elas, que as desilusões surgem daqueles que menos esperamos, e que tudo acontece no seu devido tempo.

Talvez por isso tenha sido dos anos mais difíceis, mas com menos lágrimas. Talvez o facto de aprendermos a aceitar que, tudo aquilo que vem, vai, facilite o processo que achávamos ser de perda, mas na verdade é de aprendizagem. Desta vez, não irei dizer que estou preparada para o próximo ano. Vou apenas agradecer, por todo o ensinamento.

Obrigada.

Permite-te dizer não.

Não.
Não quero.
Não gosto.
Não me apetece.
Não aceito.
Não concordo.
Não.

Aprende a dizer que não a tudo o que não queiras para ti, a tudo o que não concordes ou não aceites.
Permite-te ser capaz de tomar as tuas próprias decisões, de manifestar o teu desagrado, de saber “bater o pé” sem medo da reacção dos outros por os estares a contrariar.

És tu quem deve delinear o teu próprio caminho, quem deve fazer os teus horários, as tuas rotinas, seleccionar o teu grupo de amigos, os locais que frequentas, a pessoa que namoras. És tu quem escolhe quais os conselhos a ouvir, quais as opiniões a ter em conta.

Não permitas que os outros te pressionem, que te façam sentir na obrigação de os agradar. A cada decisão que tomes, sempre haverá alguém que não irá gostar. Todas as vezes que deres um passo em frente, algo ou alguém fica para trás. São escolhas, e escolhas geram consigo consequências.

Aprende a dizer não : não quero continuar aqui, não quero ir ali, não concordo contigo, não gosto disto.
Não quero, não aceito, não permito.

Não.

Paz, gratidão e amor.

“Senti-me realmente amada no dia em que fechei os olhos e
senti a minha paz interior.”

Passamos demasiado tempo a reclamar do que não temos, a ansiar pelo que não chega, a sonhar com o que achamos querer, a repugnar o que dizemos não merecer, e sempre esquecemos do mais importante: agradecer pelo que temos, pelo que vivemos.

Não existe nada de errado em querer mais. É importante ter objetivos, e quando os conseguimos alcançar, desejar mais um pouco. Mas isso não significa ficar obcecados ao ponto de não viver o presente, o agora. Porque, no final, isso é a única coisa que temos como certa, o que nos está a acontecer neste momento.

Já pararam 10 minutos para respirar hoje?

Devem estar a pensar “respirar? que louca, claro que estamos a respirar“.
Não é uma pergunta tão ridícula quanto parece. Acreditem ou não, nem todos sabemos respirar. Falo por mim.

Recentemente comecei a praticar Mindfulness. Inicialmente duvidei dos seus efeitos, mas ao longo do tempo tenho tido resultados incríveis.
Andamos sempre na corrida do dia a dia, fazemos tudo automaticamente e achamos que basta à noite deitar na cama e já está, energias recuperadas.

Errado.

Na maioria das vezes, desvalorizamos muito o nosso bem estar, tanto físico como psicológico, e não somos capazes de perceber que muitas vezes, tudo o que acontece de errado à nossa volta, não é o mundo a conspirar contra nós. Às vezes, é apenas a falta de equilíbrio entre as duas coisas mais importantes na nossa vida: o nosso corpo e a nossa mente.

Quando nos conhecemos, quando conhecemos o nosso íntimo, é bem mais fácil de saber lidar e reagir em determinadas situações.

O problema nem sempre é o problema, mas a forma como reagimos ao mesmo.

Chegará uma altura em que vais sentir essa necessidade, de saber quem és, qual o teu propósito de vida. Não é fácil, mas também não é impossível.
Só precisas de dar tempo ao tempo. Algumas respostas não surgem quando queremos, e muitas vezes trazem consigo ainda mais questões. Só precisas saber escutar a tua voz interior, conseguir respirar fundo, abstrair-te do mundo, e aí sim, saberás o que fazer, para onde ir.

Encontrar a nossa paz é um processo contínuo.
Não permitas que os outros te destruam, não permitas que a sua falta de amor e empatia mudem a tua maneira de ser. Encontra a tua paz interior, o teu equilíbrio, e não permitas, em momento algum, que alguém te tire isso.

Nada é mais importante que tu. E só conseguirás dar e receber amor, quando te amares a ti mesmo. Só poderás ter uma vida feliz ao lado de alguém quando fores feliz sozinho.

Sê grato, agradece por tudo o que a vida te dá, por todos os bons momentos e pelos obstáculos que te fazem crescer, por todas as pessoas que te acrescentam, e por aquelas que te mostraram como não deves ser. Tudo é aprendizagem, tudo contribui para a pessoa incrível que és. Então, em vez de lamentar, aceita, digere da forma que for melhor para ti, e sê feliz, porque não há nada mais gratificante que ser genuinamente feliz.

Tenha paz, seja paz. 🍀