Está tudo bem não estar tudo bem.

Hoje encerramos o mês de Março.
Adoraria dizer que com ele terminamos esta maré assustadoramente surreal, mas não, na verdade, acho que estamos apenas no início.

Não tenho muito a dizer sobre este último mês, apenas que as nossas vidas estão todas condicionadas, todos os dias morrem imensas pessoas (sim, já sei que isso antes também acontecia). Hoje decidi partilhar o meu ponto de vista sobre tudo isto que, vale o que vale:

  • O mundo nunca mais será igual.
  • Avisinha-se uma enorme crise económica.
  • Pessoas que amamos estão em perigo iminente.
  • Pessoas que amamos, morrem.
  • Não podemos abraçar ninguém.
  • Existem imensos governadores no mundo que estão nem aí para a vida humana.
  • Admiro quem está em casa e se torna produtivo.
  • Não precisam de se sentir frustrados por não serem produtivos.
  • Ninguém sabe o que este vírus é na verdade.
  • O mundo está uma loucura.
  • Ansiedade é uma treta.

Admiro quem consegue ser motivador no meio de tudo isto, sério. Acho incrível que existam pessoas capazes de partilhar vídeos com exercícios, mensagens motivadoras. Até porque nós somos mesmo assim, sempre a querer ser positivos, a ver o melhor lado das coisas. Isso é importante! Mas, enviar 59873872 videos, mensagens de voz e mensagens todos os dias, por todas as redes sociais, torna-se um bocadinho o efeito contrário ao que era suposto, sabem?

Todos temos medo. E está tudo bem nisso. Sério, está tudo bem em sentirmos medo, em ficar o dia todo no sofá, em não fazermos mil e uma coisa, em não fingirmos que é um dia normal porque, efetivamente, não é!

Não precisamos ser dramáticos, não precisamos de piorar o cenário, okay. Mas podemos ser honestos com aquilo que sentimos, e não nos sentirmos mal por isso. Viver esta situação é mau para toda a gente, e para quem sofre de ansiedade, depressão? Conseguem imaginar o que vai na cabeça de cada um? O pânico constante que se instala? E se essas pessoas se sentirem umas incompetentes porque não são capazes de fazer nada além de ficar o dia todo de pijama sem fazer nada, acreditem, o vírus não será o seu problema.

Então, antes que me bombardeiem com insultos e comentários do género “ah mas se não querem ver não seguem”, volto a referir, admiro quem está a ser um enorme incentivador para manter as rotinas, admiro quem está constantemente a dizer “vai ficar tudo bem”. Mas, neste momento, não está tudo bem. Então, para quem se sente assim, embora ninguém vos diga, ESTÁ TUDO BEM NÃO ESTAR NADA BEM, está tudo bem em não fazerem nada o dia todo, em pensarem em mil e um disparates, em verem todas as séries da Netflix.

Não esperem compreensão de todos, se nunca a tiveram, agora muito menos. Não esperem que todos estejam dispostos a lidar com os vossos dramas. Ninguém gosta de gente dramática.

Deixo, por fim, o meu conselho: se ainda não o fizeram, aprendam a ser por vocês mesmos, aprendam a selecionar com quem podem contar. Se precisarem de ajuda, procurem. Aproveitem todo este tempo de imensos pensamentos para perceberem aquilo que gostariam de mudar nas vossas vidas, quem querem abraçar quando tudo isto terminar. Este vírus veio mostrar, mais uma vez, que não temos qualquer controle sobre a vida, e que de um momento para o outro, tudo acaba.

Talvez tudo fique bem, esperamos que sim. Mas por agora não está tudo bem, e não há problema em assumir isso.

Para vocês que são cérebros que não descansam, que são ansiedade em forma de pessoa, que “são dramáticos e tudo é um problema”, estamos juntos. 🙂

não percam tempo.

Sinto-me assustada.

Nunca pensei que algum dia iria viver este enorme sufoco pelo qual o Mundo está a passar. Nunca pensei que chegaríamos a tal ponto. Mas infelizmente aqui estamos nós, a lutar pela sobrevivência, a lutar para enfrentar uma luta futura ainda maior. Mas a natureza não erra, tudo tem um propósito para acontecer, eu acredito nisso.

No meio de todo este cenário de terror, conseguimos perceber como as simples coisas da vida nos podem fazer tanta falta. Vejo famílias que não sabem o que fazer com os filhos em casa porque não estão habituadas a ter tempo para eles. Presencio as maiores atrocidades do ser humano, a falta de respeito, bom senso, empatia para com o próximo. Isso não me surpreende, porque a nossa sociedade é egocêntrica, tóxica. Cada vez mais tenho certezas disso. Mas, bem, hoje não pretendo alimentar ainda mais este medo que todos sentimos 24 horas por dia.

Com algum tempo livre, que confesso já não saber o que era faz muito tempo, andei a ver os meus albuns de fotografias, e no meio de todas as mil e uma fotos que têm imensas recordações e histórias para contar, encontrei uma fotografia de escola com os meus primeiros amigos. Dois meses depois de entrar para a primária, mudei de casa, de escola, e alguns deles nunca mais os vi. A maioria consegui ir mantendo algum contacto, e outros encontrar anos mais tarde.

Porque estou eu a falar disto agora?

Bem, porque nunca pensei que, 18 anos depois daquela fotografia, dois deles teriam morrido de forma tão imprevisível e injusta. Mas, aconteceu. E isto reflete a nossa vida. Nunca sabemos o que nos espera, nunca sabemos com o que podemos contar, até acontecer.

Agora questiono-me, qual é o valor da vida humana? Valorizamos a vida que temos? Quando nos queixamos de tudo e mais alguma coisa, quando abdicamos de tempo com aqueles que amamos por sempre haver algo mais importante para fazer, será realmente a atitude correta?

Não, não é.

Quantos amores estão a deixar de ser vividos porque “um dia logo se vê” ou “agora não é o momento certo”? Quantos pedidos de desculpa devemos a alguém? Quantos pedidos de desculpa devem a nós? Quando foi a última vez que dissemos aos nossos pais que os adoramos? Quando foi a última vez que falamos com aquele amigo que sempre dizemos marcar um café e nunca acontece?

Sabem, eu entendo porque não entendo na verdade.
Criamos uma linha temporal enorme na nossa cabeça, a correria do dia a dia ilude-nos que ainda temos tanto para viver. E essa falsa ideia faz com que desperdicemos oportunidades, adiamos conversas e decisões porque sempre achamos que teremos tempo, fica para depois. Mas o depois, pode ser demasiado tarde.

Num dia acordamos a achar que vamos ter um dia super tranquilo, e no outro, quando olhamos para o lado, os amigos desapareceram, aquele grande amor pertence agora a outra pessoa. As pessoas que amamos vão embora, de um jeito ou de outro. E aquela vida que aos 20 anos achávamos que não queríamos porque ainda era cedo, bem, talvez não tenhamos oportunidade de a viver porque aos 30 podemos já não estar cá. Ou as pessoas que amamos podem já ter partido. E depois? O que resta?

Restam-nos arrependimentos, um acumular de “e se”, “se eu soubesse”.

Não, nós não sabemos nada. Ficar à espera que a vida faça o seu trabalho é o mesmo que esperar que tudo termine mesmo antes de começar. Porque no dia em que as pessoas forem embora da nossa vida, restam as memórias. E a nossa memória é a nossa pior inimiga, sabem? Porque com o tempo, as lembranças começam a desvanecer, tentamos voltar a lugares que já não existem, criamos histórias na nossa própria cabeça para manter viva a sua presença, mas quando percebemos, já quase nem conseguimos lembrar do seu cheiro, do som da sua gargalhada, do conforto do seu abraço.

Na virada do ano, achei que 2020 seria um excelente ano, os planos eram imensos, as expectativas bastante elevadas. Quem diria que, pouco mais de dois meses depois estaria a desejar que o ano acabasse de uma vez por todas?

Então, agora que todos teremos mais tempo para refletir sobre a vida, talvez esta seja a altura de tomar decisões. Talvez agora seja o momento certo para dizermos às pessoas que amamos aquilo que elas significam para nós, de pedir desculpa a quem devemos, de resolver mágoas passadas. Talvez o universo nos esteja a chamar à atenção para o que temos feito de errado, e nos esteja a dar uma oportunidade para, quando tudo isto passar, abraçarmos as pessoas que amamos com força, para ajudar quem precisa da nossa ajuda, para aprendermos o que significa empatia e colocar em prática.

Amem, respeitem, deixem-se de desculpas e tomem decisões. Assumam os vossos erros, deixem o orgulho de lado. Amem, e aprendam a ser amados.

E acima de tudo, não percam tempo, porque ninguém sabe quanto tempo dura o tempo.

Que o amor envolva os vossos corações.

Mulher.

Sou mulher.

Sou mulher e todos os dias, é o meu dia.
Todos os dias vejo-me obrigada a lutar para conquistar o meu lugar que me deveria ser dado naturalmente.

Ouço piropos e comentários desagradáveis. Se respondo, sou rude. Se me calo, é porque gosto.

Nós, mulheres, continuamos a morrer pelas mãos dos homens em quem confiamos. Nós, mulheres, continuamos a ser julgadas por todos à nossa volta.

Caracterizam o dia da mulher como sendo o único dia do ano em que as mulheres podem fazer o que querem, porque os restantes dias, não podem.

Então, não, não quero que me ofereçam flores, não quero que façam textos bonitos.

Quero que me respeitem, a mim, e a todas as mulheres. Não apenas hoje, mas todos os dias!

Obrigada.

Quase nos vinte e cinco.

Daqui a precisamente quatro dias entro nos vinte e cinco.
Com os meus 8/9 anos imaginava que quando chegasse a esta idade já seria mãe, teria um emprego xpto, uma casa, andaria sempre de vestido e salto alto, uma autêntica lady. Mas, adivinhem só, nada disso aconteceu.

O ciclo dos vinte para mim têm sido bem doidos. É uma fase em que ninguém me considera uma adulta mas também já não sou adolescente.
E parece que a cada ano que passa, a tendência é os anos se superarem uns aos outros, cada vez mais. Por isso acaba por ser um pouco monótono dizer “este ano foi particularmente difícil, muita coisa aconteceu, muita coisa mudou”, blá blá blá, pensam vocês. Mas a verdade, é que efetivamente é assim mesmo. Não sei se é apenas comigo, mas todos os anos, meses, semanas, dias consigo surpreender-me a mim mesma.

Há precisamente um ano atrás muita coisa estava a mudar na minha vida. E acreditem ou não, 2019 foi o ano mais montanha russa que já tive, e por isso, até agora, os 24 foram aqueles em que mais mudei.
Fiz as minhas tatuagens, fui pela primeira vez a uma discoteca (sim, primeira vez!), despedi-me do trabalho que tinha para investir em mim mesma, consegui dedicar mais tempo aos meus amigos, à minha família.

Basicamente foi aquele ano em que muita gente me chamou de louca, que duvidaram da minha sanidade mental. E sabem que mais? Essas foram as melhores decisões da minha vida!

Deixei para trás todas as pessoas tóxicas que existiam ao meu redor e me adoeciam sem eu perceber, valorizei-me, fui à luta, sem ouvir as críticas daqueles que na verdade não me desejam nada de bom, pelo contrário.
Defendi incansavelmente causas em que acredito, e independentemente daquilo que me chamem por isso, continuarei a fazê-lo, cada vez mais.

Tenho 100% certeza de que daqui para a frente muito me espera, e estou de bem com isso. Na verdade, estou super preparada para tudo o que possa vir, seja de bom ou de menos bom. Porque no final, tudo serve para fortalecer, para fazer crescer. E hoje eu sei que, aqueles que valem o nosso esforço e dedicação, estão sempre do nosso lado. Que é preciso dias de chuva para que se veja o nascer do arco-íris.

Não tenho uma lista de objetivos a realizar este ano. Tenho sonhos e objetivos, que serão cumpridos na sua hora, no seu momento, ao seu ritmo.
Parei de colocar pressão em mim mesma, ou nos anos, porque se há coisa que aprendi é que a vida sempre nos surpreende. Leva consigo o que tanto queríamos para nos oferecer o que merecemos. E isso não é certo nem errado, é o que tem de ser, acho eu.

Como me disseram à algum tempo, “quando as coisas não acontecerem da maneira que imaginavas, aproveita aquilo que surge em sua vez”.
Acho que a vida é mesmo isso, se não pudermos seguir pelo caminho principal, apanhamos um atalho. No tempo certo, encontraremos de novo o caminho do qual nos desviamos, ou então não, talvez o atalho fosse na verdade o caminho principal, e quando menos percebermos, estamos onde sempre tivemos de estar. Ainda que isso não seja o que imaginávamos.

Resumindo, não sei se é suposto haver uma idade “certa” para as pessoas mudarem porque eu mudo todos os anos, todos os dias – felizmente.
E com isso agradeço imenso aos meus 24 anos marcados pelas escolhas mais acertadas e também as mais incorretas, pela chegada e partida de pessoas que nunca imaginei, por me ter levado ao meu limite e ainda assim continuar aqui.

Não sei o que os 25 me reservam, mas tenho esperança que sejam o melhoramento daquilo em que me tenho tornado porque, acreditem ou não, tem sido a minha melhor versão!

Um bem haja aos vintes, os loucos vintes!

Muffins de frango e legumes

Oi meus tangelarinos! 🍊
Ano novo, novidades novas não é mesmo?
Uma das promessas que fiz a mim mesma no final do ano anterior foi de que me iria dedicar mais aos meus blogs, e a mim. Então, nada melhor do que começar o ano a partilhar uma receita que considero saudável, não é mesmo?

Muffins de frango e legumes

Ingredientes que usei:
. 150g de peito de frango
. 1 ovo
. 5 claras de ovos
. 1/5 de pimento verde e vermelho
. 100g de espinafres
. 2 colheres de sopa de leite de soja magro
. flor de sal, pimenta, alho e oregãos

Preparação:

Pré-aquece-se o forno a 180º enquanto se unta as formas (esta quantidade dá para 6 muffins).
Numa frigideira, coloca-se os pimentos cortados em pedaços pequenos juntamente com os espinafres cortados em pedaços finos. Acrescenta-se o frango previamente cozido e desfiado. Temperei com alho, oregãos e um pouco de flor de sal (os temperos podem ser a gosto).
À parte, mistura-se o ovo com as claras de ovos, e o leite. Tempera-se com um pouco de flor de sal e pimenta.
Distribuir a mistura do frango com os legumes pelas formas, e completar com a mistura dos ovos.
Levar ao forno, cerca de 30 minutos, a uma temperatura de 170º, até ficar bem cozido.

Para ajudar a não colar nas formas, usei papel vegetal.

É uma receita super simples e fácil de fazer, e bastante saborosa!
Experimentem e deixem o vosso feedback. 🙂

Bom ano a todos *

Ama, respeita, e não aceites menos que isso em troca.

Quanto mais o tempo passa, quanto mais experiências a vida nos proporciona, mais percebemos que temos apenas a nós mesmos, que não importa quanto digam que te amam, ou estão do teu lado, no final, existes apenas tu.

Numa tentativa desesperada de manter as pessoas que amamos por perto, submetemos-nos, muitas vezes, a situações de extremo desrespeito e desamor. E está tudo bem, porque não conseguimos ver aquilo que está a acontecer à nossa volta. Está tudo bem, porque sempre que demonstramos que algo nos incomoda, a outra parte consegue manipular-nos ao ponto de sentirmos que o problema é realmente nosso.

Vivemos relações tóxicas, em que ninguém se preocupa realmente com o outro, em que passam mais tempo no ginásio a alimentar o seu enorme ego em vez de sentarem cinco minutos do nosso lado e tentar entender o que tornou o nosso dia mau – porque para isso não existe tempo.

São relações de desapego, em que cada um vive por e para si.
Ninguém se incomoda em conhecer os gostos do outro, em saber qual é a sua cor preferida, a música que gosta mais ou a comida a que é intolerante.
Não há passeios românticos porque é parolo, não há jantares com os amigos ou a família para evitar dramas quando se separarem – sim, porque a maioria inicia uma relação a pensar no fim. Estão juntos quando dá tempo e ambos estão dispostos a estar no seu melhor, onde se sentam em lados opostos da mesa, sem dizerem uma única palavra, apenas actualizando as redes sociais com uma foto de ambos como se vivessem o melhor momento do mundo. E quando chegam a casa, depois de se terem tratado que nem dois estranhos durante horas, dizem que sentem saudades um do outro.

A maioria dos amigos apenas existe nas redes sociais: enviam mensagens nos aniversários ou datas festivas, colocam um like de vez em quando nas fotografias, marcam jantares para tirarem fotos sem perguntarem, em momento algum, como estás, o que tens feito, como te sentes.

Esta é a realidade em que nos encontramos: namoros que não são namoros, amigos que desaparecem de um dia para o outro, colegas de trabalho que torcem para o nosso insucesso.

Não, não está tudo bem viver pela metade, ser amado pela metade, ser valorizado pela metade. Porque nós não somos metades.

Então sim, está tudo bem não estar tudo bem.
Não tenhas medo de dizer o que sentes por medo de magoar o outro. Diz o que sentes, o que te incomoda, ou vai embora, em silêncio. Não procures quem te abandonou, não te culpes por quem escolheu não ficar. Deste o teu melhor, e se ainda assim não foi suficiente, não foste tu quem errou.

Faz os teus próprios planos, guarda-os apenas para ti, e não tenhas medo que te critiquem, que te julguem. A opinião dos outros será sempre isso, a opinião dos outros. Mas a forma com que te tratam, se a aceitares, aí sim, isso é um erro teu.

Valoriza-te, e faz com que te valorizem. Corta relações com o passado, não respondas a mensagens ofensivas, bloqueia quem te quer mal, não percas tempo com quem desaparece mais rápido do que aparece. Rodeia-te de pessoas positivas, que te apoiem, incentivem, respeitem, e retribuam toda a atenção e amor que lhes dás.

Permite que fique na tua vida apenas quem te acrescenta, quem te transborda, e não tenhas medo de ficar só, porque todos aqueles que forem embora, não são dignos de ti, do teu tempo, da tua dedicação.

Confesso que admiro mais as pessoas que simplesmente desaparecem do que aquelas que ficam a brincar de vai e vem, de quem não sabe o que quer.

E, se no final deste ano, quando chegar à meia noite não tiveres ninguém do teu lado para abraçar ou dar um beijo, se não tiveres ninguém que te diga o quanto te ama e te quer na sua vida no próximo ano, vai até à janela, enxagua as lágrimas, olha para o céu, e agradece, por teres do teu lado a única pessoa que te é realmente fiel: tu mesmo!

Ama, respeita, e não aceites menos que isso em troca.

Sobre dois mil e dezanove.

Pertenço à grande maioria de pessoas que todos os anos fazem uma retrospectiva dos últimos 12 meses. Mas, este ano, dei por mim a fazer retrospectivas mensais, quando não semanais. Porque – embora comece a ser sistemático dizer isto todos os anos – este foi um ano muito doido. Continua a ser.

Poderia voltar a referir as mesmas palavras que escrevi à doze meses atrás (https://apaixoneimeportieagora.blogspot.com/2018/12/dois-mil-e-dezoito.html) porque fariam todo o sentido. A única diferença é que, ao contrário do que escrevi na altura, não, não estava preparada para este ano.

Pensei várias vezes na palavra que melhor descreveria este capítulo, e gratidão é, sem dúvida, a minha escolhida. Porquê? Porque sou grata por todas as pessoas que saíram da minha vida, pelas que apareceram , e principalmente, as que se mantiveram. Sou grata por me ter permitido colocar em primeiro lugar, por ter tido coragem suficiente para dizer não nas alturas certas, por aprender que nem sempre o amor é suficiente, e que merecemos mais do que ser uma opção na vida de alguém.

As adversidades da vida mostram-nos que podemos ser igual a uma fénix: por maior que seja a queda, por mais danos que a mesma nos possa causar, sempre é possível renascer, mais fortes, mais determinados, e com mais amor por nós mesmos.

Foi um ano emocionalmente catastrófico. Citando algo que li recentemente e para mim fez todo o sentido, “este ano foi uma montanha russa, e eu estava sem cinto“. No meio desta viagem atribulada, percebi que não podemos controlar tudo, que não devemos mendigar a atenção de ninguém, que não podemos confiar em qualquer um, que a maioria das pessoas querem-nos bem mas nunca melhor que elas, que as desilusões surgem daqueles que menos esperamos, e que tudo acontece no seu devido tempo.

Talvez por isso tenha sido dos anos mais difíceis, mas com menos lágrimas. Talvez o facto de aprendermos a aceitar que, tudo aquilo que vem, vai, facilite o processo que achávamos ser de perda, mas na verdade é de aprendizagem. Desta vez, não irei dizer que estou preparada para o próximo ano. Vou apenas agradecer, por todo o ensinamento.

Obrigada.