altura de fazer uma pausa.

Uma página em branco, um cursor que pisca por tempo indeterminado.
Um sufoco de palavras que não saem, um silêncio ensurdecedor.
Esta é a melhor definição da minha vida.
Bem vindos .

Estamos quase no final de Maio.
Todos os dias abro uma nova página no blog na ânsia de escrever qualquer coisa que seja relevante, que tenha o mínimo interesse para ser dito. E não consigo. Tenho um misto de sentimentos, pensamentos. Escrevo uma frase, e penso “para quê?”.

Talvez dê demasiado valor às coisas, talvez continue a criar expectativas que têm tudo para dar errado, talvez continue a achar que “desta vez vai correr bem“, quando na verdade sei que não acontecerá. Não sei se é apenas comigo, se é um mal geral.
Dizem que os loucos sabem muita coisa. Bem, de louca já não posso ser chamada, porque se pouco sabia, agora nada sei.

É, está bastante difícil.

As pessoas continuam a ir embora sem explicação, o ciclo de amigos torna-se cada vez mais pequeno, sou constantemente cobrada por pessoas que nem me conhecem. E porquê? Para quê? Nada faz sentido.

Lidar com pessoas é cansativo, sabem?

Talvez um dia escreva um livro a contar todo o ódio gratuíto que já recebi por publicar uma foto em biquíni, todas as vezes que me apontaram defeitos por não corresponder à imagem de “namorada perfeita”, por ser demasiado dramática quando escrevo, ou todos aqueles que diziam ser meus amigos e na primeira oportunidade me abandonaram.

As pessoas cansam-se uma das outras, mudam de prioridades, eu entendo.
Mas é frustrante.

Apresentam-se com toda a motivação, conhecemo-las, damos-nos a conhecer, expomos a nossa intimidade, partilhamos os nossos sonhos, medos, traumas, e confiamos, confiamos ao ponto de não termos limites para nada. E depois, de um dia para o outro, tudo muda. Passamos a ser um segundo plano, somos julgados, desvalorizados, deixados de lado. Para nos conquistarem, apostam tudo, e quando nos consideram seguros, o encanto, a conquista, o empenho, a dedicação, tudo se perde, tudo deixa de ter valor.

Não sei se são efeitos desta pandemia, se é demasiado tempo sem apanhar sol, se o meu nível de pensamentos aleatórios e simultâneos aumentou, se a minha fobia social se solidificou, ou se simplesmente estou cansada, mas neste momento, quando acordo, já não pego no telemóvel para ver as mensagens que tenho para responder, ou se tenho alguma mensagem, não faço mais planos para o fim de semana, passo os dias focada no trabalho.
E está tudo bem.

Então, aproveito este texto para pedir desculpa a todas as pessoas que me enviam mensagens e eu respondo dias ou semanas depois, ou aquelas que não conheço e simplesmente não respondo. Não é por mal, de verdade.
Mas chega uma altura em que já não temos interesse em conhecer pessoas novas e começar tudo de novo, em que é necessário fazer uma pausa, em que temos de perceber quem merece o nosso tempo, a nossa atenção, redefinir prioridades. E perceber que, de todas essas prioridades, nós temos de ser a principal.

Esta é a minha pausa.

Provavelmente já a devia ter feito à muito tempo, ou talvez precisasse de chegar ao limite para entender que devia parar, olhar para mim mesma e perceber o que me faz bem, o que me faz mal, o que devo aceitar dos outros, e o que não devo aceitar.

Não procuro uma vida louca, cheia de futilidades e pessoas que na verdade nem querem saber de mim, que apenas esperam os benefícios do meu lado bom. Não quero viver em função da aprovação dos outros, na expectativa de agradar a todos, de receber elogios e promessas de um futuro onde não me incluem.

Os meus sonhos aos vinte e cinco anos não são os mesmos que tinha aos quinze, os meus objetivos de hoje não são os mesmos de à um ano atrás.
As pessoas mudam, e nessa mudança, temos duas opções: seguir sozinhos, ou acompanhados por alguém que queira seguir do nosso lado.

Este é o meu momento, de me despir de medos e fantasmas, de olhar para mim, por mim. De selecionar, aceitar e abdicar. De bloquear pessoas se for necessário, de não aceitar a maldade dos outros. Em alguma altura, todos precisamos parar, refletir, e agir para não permitir que os outros nos transformem naquilo que não queremos ser. Todos precisamos de uma pausa.

E esta é a minha.

Com carinho,
Sofia.

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