E tu? Como te sentes hoje? #1

Chegou o verão, altura de sol, praia, mar. Combinamos com a família ou os amigos em passar um dia agradável à beira mar, até que chega o grande problema: vestir o biquíni.

Se fosse à cinco anos atrás, nunca postaria uma fotografia em biquíni, na verdade, nem o vestiria. Talvez por isso sempre tenha dito que não gostava de praia.

Que atire a primeira pedra quem nunca se sentiu mal com o seu corpo. Porque se nunca tiverem tido qualquer tipo de complexos com ele, então tenho uma inveja saudável vossa.

Não faz muito tempo conheci uma menina que estava a passar por uma fase idêntica à minha. Quando olhava para ela só pensava “caramba, será que ela não consegue perceber que é tão linda assim?“. Isso é o que sempre temos tendência a fazer, desvalorizar a dor do outro, esquecendo muitas vezes que outrora fomos nós a sentir o mesmo.

Se olho no espelho e gosto de tudo o que vejo? Não. Se estou super à vontade com o meu corpo? Claro que não.

Não emagreci, não perdi a celulite (pelo contrário), não fiquei morena, nem cresci um único centímetro. Perdi peito, ganhei uns centímetros na barriga e as coxas continuam a ocupar demasiado espaço nas calças. Mas aqui estou eu, de biquíni, na praia, sem pensar nas minhas pernas brancas, na gordura a mais ou seja no que for.

É o segundo ano em que vou à praia com a minha família, em que uso calções sem meia calça, em que olho no espelho e sei que não é o que eu queria ver, mas é o que sou, o que tenho, e enquanto não alcanço o meu objetivo (não sei fazer dietas e sou péssima atleta no ginásio), aceito-me, tal como sou. E encolhendo a barriga para a fotografia claro (ahah).

Foi isso que mudou na minha vida nos últimos anos, aprendi a amar-me, a aceitar-me. Então, para todos aqueles que no ano anterior me enviaram mensagens com comentários desagradáveis por publicar uma foto em biquíni, e todos aqueles que neste momento o estão a pensar em fazer, não, não estou à procura de provocar ninguém, não me estou a vulgarizar, não estou a ser “uma qualquer”. O que para vocês é mais uma fotografia, mais uma miúda a pavonear-se nas redes sociais, para mim é uma conquista, é um avanço na aceitação do meu corpo.

Espero que um dia, a Beatriz consiga olhar no espelho e gostar de si mesma, que se veja do jeito que eu a vejo. Porque acreditem, ela é incrível!

Hoje sinto-me incrivelmente bem. E tu? Como te sentes hoje?

6 thoughts on “E tu? Como te sentes hoje? #1

  1. Insónia diz:

    O segredo para se ser feliz é importarmo-nos connosco e com o nosso bem estar, antes do que com o que os outros pensam/acham. É fácil dizer, mas por em prática não é bem assim. Infelizmente as redes sociais gerem os egos contemporâneos.
    Lá está, se (realmente) te sentes bem a fazer um post mais “ousado”, faz! Só te pode fazer bem ao ego, és uma miúda super bonita e interessante.
    Claro que o feedback por vezes não é o melhor, o “olho gordo” é omnipresente, e há sempre a estória dos prevertidos. Doesn’t matter.
    Se fosses um homem a fazer posts ousados para prevertidas, eras o maior. Mas és a Sofia, a loirinha da Telmacopias 😛
    Pessoalmente gosto de te “cuscar” nas redes sociais de vez enquando, garantidamente não sou um stalker, mas sou fã.
    Aprecio a tua vontade de escrever. Força nisso!
    Tens aqui um seguidor.

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  2. Ni diz:

    Com 36 anos e mae de um menino de 10 anos, ainda nao consigo aceitar o meu corpo….
    Gostei do teu testemunho e consegui ver nas tuas palavras algumas minhas…
    Mas nao e fácil aceitar.
    Beijinho grande e continua
    Adoro ler os teus textos

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    • Sofia Ferreira diz:

      Desengane-se quem pensa que é fácil, ou acha que isso acontece por alguém dizer que sim. É preciso muita coragem para nos conseguirmos aceitar e amar do jeito que somos, todos temos o nosso tempo, o nosso ritmo. Mas acredito que um dia isso te irá acontecer! 🙂
      Muitas felicidades! Um grande beijinho ♡

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  3. João Branco diz:

    Sofia,

    Depois de ter lido com muita atenção este teu desabafo, o qual te digo já de antemão que é perfeitamente ilegítimo porque tu és linda de morrer, tens um corpo de sonho e és uma miúda inteligente e altamente sensível, com sentimentos bons (já o demonstravas no teu anterior blog) características de uma MULHER A SÉRIO que agradam a qualquer homem e que fazem de ti uma daquelas deusas que todos os homens gostariam de ter lá em casa (falo pelo menos por mim; se os outros não te vêem dessa forma, problema deles!) , posso afirmar sem pejo uma coisa que espero que memorizes e interiorizes no teu íntimo com todas as suas forças: os teus princípios, os teus valores, a tua auto-estima e a tua auto-confiança são completamente inegociáveis. Não te deves sentir afectada por ninguém nem por nenhuma crítica: tu tens de intimimamente saber que tens o teu valor. E acredita que vales muito. Muito mesmo. Para mim que não te conheço pessoalmente, e certamente para as pessoas que te conhecem bem, vales muito. Eu sei que vivemos num tempo em que a sociedade em geral tende a olhar mais para fora do que para dentro, a criticar com mais veemência os defeitos dos outros do que a olhar para dentro e a criticar os seus defeitos (porque todos nós, sem excepção temos os nossos telhados de vidro, as nossas inseguranças, os nossos medos, as cruzes do passado que carregamos às costas…) e a achincalhar por inveja. No fundo é isso: a inveja e a crítica fácil e fútil são as armas dos fracos, dos que não tem força de vontade para mudar, para se tornar pessoas melhores, capazes de praticar melhores acções e de tomar melhores atitudes. Há uns anos, o ensaísta Eduardo Lourenço, um académico que tem procurado encontrar o significado de ser português, escreveu a este respeito uma coisa muito interessante sobre os portugueses que é a Teoria do Caranguejo português: quando um português vê o seu vizinho do lado progredir na vida, comprar um carro ou uma casa nova ou alcançar um certo patamar ou estatuto na vida, por norma, não trabalha o mesmo que ele trabalhou para atingir esse patamar e também poder progredir. Ao invés de trabalhar, a inveja mina-o de tal forma que este só descansa enquanto não reduzir o outro até à pequenez que é.
    Vou-te contar um pouco da minha história. Eu sempre fui um tipo gordinho. Desde miúdo que sempre fui habituado a levar aquelas bocas clássicas do bullying que os miúdos mais fortes fazem junto dos mais fracos. Não tens ideia da quantidade de vezes em que fui gozado pelos outros pelo facto de ser mais cheio, de ter uns “dentes à coelho”, uma face “à macaco” ou uma barriga à gosma. Com 8\9\10 anos fui rejeitado em vários desportos por ser gordo, ou por ser lento ou por não correr tanto que os outros. Podia ser hoje um adulto traumatizado por uma adolescência repleta de episódios em que fui escarnecido até ao tutano. Mas não sou. Só me deixei afectar até ao momento que descobri o desporto que aceita todos: o Rugby. O Rugby tem espaço para todos: gordos, magros, altos, baixos, marrecos… ) E vem com um bónus tremendo: é um desporto que nos incute valores, que nos incute um espírito de superação que nos torna inabaláveis, capazes de tudo, e que nos dá um sentimento de orgulho tremendo e um espírito de camaradagem fantástico. Hoje, passados muitos anos, já não ligo aos meus kg a mais, às marcas que tenho no rosto e no corpo, à minha barriguinha, aos kg a mais nas coxas. Sinto-me perfeitamente feliz com o meu corpo e com a pessoa que sou (no fundo, com a minha personalidade, com todos os defeitos da minha personalidade, com todas as virtudes que possuo) porque consegui atirar essas críticas para trás das costas e como diz o outro, “mandar foder” todos aqueles que não gostam de mim ou que me tentam\tentaram derrubar. Quando esses pensam que ao criticar-me estão a tentar derrubar, desenganem-se: antes de me tentarem derrubar com uma crítica, já eu os derrubei ou com uma placagem ou pelo pensamento. Quem me quiser comer a carne, terá que comer os ossos também porque eu jamais venderei a minha personalidade, os meus valores e a minha forma de estar. Como te disse, os meus valores e a minha forma de estar e de ser são inegociáveis.
    Aceita-te como és, de facto. Ao aceitares-te como és, estás a resolver a tua vida. A vida está efectivamente de feição para todos os seres resolvidos consigo mesmo e com força para fazer crescer o seu intelecto e o seu espírito.

    O Flanqueador Feliz, orgulhoso do seu nº7 nas costas, irá passar por aqui mais vezes para te tentar animar o dia. Sê feliz meu doce. No que depender de mim, serás 🙂 Beijo.

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